A oposição
A lei n.º 24/98, de 26 de Maio que veio substituir
a lei n.º 59/77, explicita o estatuto do direito de oposição e logo no seu
artigo 1º indica que “É assegurado às minorias o direito
de constituir e exercer uma oposição democrática ao Governo e aos órgãos executivos das Regiões Autónomas e das autarquias locais de natureza representativa…”.
Portanto o direito de oposição existe legalmente e tem o seu
próprio estatuto.
É também na mesma lei, sob o n-º 3 do art.º 3º que
se define a titularidade: “A titularidade do direito de oposição é ainda reconhecida aos grupos de cidadãos eleitores
que como tal estejam representados em qualquer órgão autárquico…”
Assim e de uma forma muito superficial, podemos
afirmar que a oposição pode ser realizada pelas minorias, já que a maioria
estará ao leme do poder, e que dentro destas se encontram também os grupos de cidadãos
eleitores, aqueles que agora nos habituámos a apelidar de “independentes”.
Mas porquê esta conversa?
Este tema vem de encontro do que se passa na nossa
cidade. Na Covilhã existe um elenco governativo composto por sete vereadores, 3
são do PS, 2 são dos “independentes”, 1 é da CDU e 1 é do PSD. O poder é do PS.
Assim oposição é composta por uma minoria, que em conjunto forma uma maioria
(!!!). Esta situação deveria ser muito complexa de gerir para o PS mas não
obstante a sua “minoria”, observamos que governam como uma maioria.
Como é isto possível?
Além das badaladas “negociatas” entre um “independente”
e o actual elenco governativo, existe, quanto a nós, algo com maior pendor
explicativo: a falta de oposição!
Senão vejamos. À falta da publicitação das actas
das reuniões do executivo que esperemos que o actual Presidente da Câmara, dr.
Vítor Pereira, "alavancado" pela sua súbita veia de transparência as publicite, o
que podemos avaliar pelo desempenho da oposição é idêntico ao que avaliamos do
elenco governativo: é negativo!
Não se vê qualquer ideia de futuro do governo
autárquico, nenhum projecto, vemos, isso sim, uma diabolização do anterior
executivo camarário. Que seja necessário aferir qual “o ponto de partida”, na narrativa do actual Presidente, não discutimos, agora que se defina como
prioridade absoluta o desenterrar tudo o que foi feito anteriormente, deixando
para trás, ou pelo menos em segundo plano, a gestão da nossa cidade, isso é que
não pode acontecer. Não pensem que estamos a exagerar, basta olhar em nosso
redor e o que observamos são obras paradas, obras estas que são pagas com o
dinheiro dos nossos impostos e que muitas delas estão ao abandono, servindo de
exemplo o antigo “Welcome Center” onde vemos todos os dias os materiais a
deteriorarem-se e, do edil, nada é feito! Não que tenha que ser o Presidente a
ter esta preocupação mas sim os técnicos da CMC que, tanto quanto nós sabemos,
continuam os mesmos e continuam com a mesma liderança, o eng. Vieira, que de tanta
“competência” atribuída se esquece que é um funcionário público com
responsabilidade e que deveria, tal como o seu estatuto de funcionário público
indica, olhar pelo bem público. Mas não, ele prefere olhar para outros bens…
Também na oposição a realidade não difere muito.
Encontramos um vereador da CDU que se diz
independente (senão lá teria de entregar o seu rendimento ao partido!) e que
não apresenta qualquer ideia. Aliás compartilha a ideia de desenterrar o
passado e disponibiliza-se para partilhar o poder pro bono. Mas esta partilha
acarretaria novas ideias, um futuro para a nossa cidade? Não nos parece. Não
apresenta qualquer solução de futuro. À semelhança do que o seu deputado
municipal apresentou no passado “Esclarecimento” do nosso Presidente, também
este vereador apenas sabe informar que no passado foi contra o executivo!
Passemos ao PSD. O vereador único deste partido
(sim, podem acreditar o PSD na Covilhã só tem um vereador) parece que não
existe! Nas reuniões não se dá por ele. Alguém se recorda daquele sr. Matias
que infernizava o eng. Pombo? Pois. Desapareceu. E porquê? Dizem as más-línguas
que ainda está à espera de alguma coisa… e que entretanto tem uns acordos com o
vice-Presidente sr. Carlos Martins, entenda-se “negociatas”. Mas disto não
sabemos nós (por enquanto!), o que sabemos é que o PSD não faz oposição e
quando a faz é de uma forma envergonhada. Projectos para o futuro? Nada. Mas já
informou o Presidente que contasse com ele para ajudar e que esta ajuda não
custa nada, também ele o fará pro bono!
Eis-nos chegados aos “independentes”. O chamado
MAC. Atenção o Movimento Acreditar Covilhã, nada de confusões.
Aqui a coisa é mais complexa. Vamos por partes.
Dos dois vereadores um já desertou! O dr. Silva
levou a sua “independência” até ao fim e afirma-se um defensor do seu próprio
projecto, relegando para segundo plano a legitimidade que lhe foi oferecida
pelos covilhanenses no passado mês de Setembro de 2013. Senão avalie-se: depois
de viabilizar e reforçar o executivo PS é vê-lo agora a passar notas para o dr.
Pereira e para o sr. Martins, onde vai informando o que estes devem esperar dos
seus colegas de bancada e como os devem “entalar”. É óbvio que se gastam muitos
post-it’s mas tantos!!!! O que é importante é analisarmos a sua performance
enquanto opositor e aqui, surpresa, não encontramos nada! Vemos que a sua acção
política transformou quase todos os Presidentes de Junta de Freguesia em fiéis
servidores do poder, transformou um executivo minoritário em maioritário,
transformou o recibos de vencimentos de alguns amigos(as)…. mas e projectos,
ideias, oposição? Nada, apenas se sabe que quando vai às reuniões, porque nem
sempre vai, tende a concordar com o actual executivo e ajuda-o a responder às
questões enviando post-it’s.
E o outro vereador?
Já nos apercebemos que o outro vereador não é sempre
o mesmo. Quando um sai para passear outro ocupa o lugar. E políticas? Observamos
que o dr. Farromba tem perdido muito tempo a tentar apagar a sua ligação ao
anterior executivo! Não perca, o senhor esteve lá, e o passado não se apaga.
Também as políticas apresentadas não primam pela excelência, tem ajudado a
desenterrar o passado e fala em “mãos firmes”! E que tal, é apenas uma sugestão,
que tal uma oposição firme!!! Por outro lado, a recente substituição até nos
surpreendeu, o miúdo do CDS (sim, o MAC teve apoio do CDS e inclui diversos
militantes que agora são “independentes”!) até se esforçou por fazer oposição,
apresentou algumas coisitas e até questionou de uma forma desprovida de
ostentação política o actual executivo. No entanto a sua “profissão” não ajuda
à oposição, o facto de o dr. Reis fazer parte como “assessor” do CHCB vem dar
um ar de boy do CDS e não a de um verdadeiro opositor do edil camarário. Mas no
final a avaliação não difere: a oposição é fraca!
Em conclusão, o que podemos afirmar é sabendo nós que
a oposição é necessária em qualquer democracia, a mesma não se verifica no
nosso Concelho. Os nossos “políticos” não estão a desempenhar a sua função de
forma responsável. Quando votamos esperamos que os nossos representantes
trabalham em pról, neste caso, do seu concelho, sejam eles da esquerda, da
direita, “independentes” não interessa! O mais importante é o Concelho e o seu
desenvolvimento. Para isto é preciso que todos trabalhem em equipa e fazer
oposição também é isso, é trabalhar em equipa. Não basta criticar é preciso
oferecer novas ideias, não basta falar em chavões (que a nossa língua tanto
oferece) devem precisar o que se deve fazer, e fiquem descansados que ninguém
vos roubará as ideias! E de uma vez por todas não tenham como principal
preocupação o passado, também o devem ter, mas em segundo plano, neste momento o
que interessa é definir de uma vez por todas para onde queremos ir, definir
qual a estratégia económica e social para a Covilhã e publicitá-la. Só assim
podemos saber O QUE ANDAM A FAZER!
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